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Adoção do Modelo NEWAVE Híbrido: Impactos na Precificação da Energia

  • Foto do escritor: Elevar Energia
    Elevar Energia
  • 26 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura
Homem analisando relatório da Elevar Energia sobre a importância de avaliação dos impactos na precificação da Energia

Nos últimos meses, o mercado de energia brasileiro tem enfrentado uma onda de

volatilidade e preços elevados, especialmente no Ambiente de Contratação Livre

(ACL). A principal causa dessa explosão de preços está diretamente ligada à adoção

do modelo NEWAVE Híbrido e à calibração mais rigorosa do CVaR (Conditional

Value at Risk), que entraram em vigor em janeiro de 2025.


Além disso, fatores climáticos adversos, como períodos prolongados de seca e

redução no volume dos reservatórios das usinas hidrelétricas, também têm exercido

grande pressão sobre os custos de geração, elevando o preço de liquidação das

diferenças (PLD) a patamares recordes.


De acordo com o Programa Mensal de Operação (PMO) de março de 2025, a última

semana operativa registrou os seguintes custos marginais de operação (CMO) nos

subsistemas do SIN:


  • SE/CO: R$ 380,00/MWh

  • Sul: R$ 380,00/MWh

  • Nordeste: R$ 0,00/MWh

  • Norte: R$ 0,00/MWh


O que mudou com o NEWAVE Híbrido?

O modelo NEWAVE, utilizado para otimização do despacho hidrotérmico no Brasil,

passou por uma atualização significativa com a introdução da versão híbrida. A

principal novidade é a representação individualizada das usinas hidrelétricas

nos primeiros 12 meses do horizonte de planejamento. Antes, o modelo agregava

as usinas em blocos, diluindo o impacto de variações específicas.


Além disso, a calibração do CVaR foi ajustada para α = 15% e λ = 40%, refletindo

uma maior valorização dos cenários de risco extremo. O objetivo dessa mudança foi

tornar o modelo mais realista, considerando situações adversas que antes não eram

suficientemente contempladas.


Impactos na Precificação da Energia

Com a implementação do modelo NEWAVE Híbrido e a reparametrização do CVaR,

o mercado experimentou um aumento significativo no Preço de Liquidação das

Diferenças (PLD), que em alguns momentos atingiu valores superiores a R$

1.000/MWh, enquanto no modelo anterior raramente superava os R$ 500/MWh.


Razões para a Explosão dos Preços:

  1. Sensibilidade a eventos extremos: A representação individual das usinas e a maior consideração de riscos extremos aumentam o custo marginal em cenários críticos.

  2. Volatilidade hidrológica: A seca e a baixa afluência de reservatórios ampliaram o acionamento de usinas térmicas, que possuem custos de geração muito mais elevados.

  3. Repercussão Financeira: Grandes consumidores, acostumados com previsibilidade e contratos de longo prazo, foram surpreendidos por aumentos repentinos e imprevisíveis nos custos.


Todos os Agentes sofrem com a volatilidade. A explosão dos preços e a

imprevisibilidade gerada pelo modelo NEWAVE Híbrido não afetam apenas os

consumidores finais. Comercializadoras e geradores também enfrentam

grandes desafios para honrar contratos e manter a sustentabilidade

financeira de seus negócios. A alta volatilidade e a falta de previsibilidade

dificultam a formação de estratégias de compra e venda de energia, gerando

um ambiente de incerteza que prejudica toda a cadeia do setor elétrico.


A reação do setor e movimentações regulatórias diante da escalada dos preços

e da insatisfação dos agentes do setor, a Agência Nacional de Energia Elétrica

(ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) abriram discussões para

reavaliar os parâmetros adotados. A Comissão Permanente para Análise de

Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP) está

conduzindo estudos e promovendo consultas públicas para considerar ajustes

na metodologia de formação de preços.


O que esperar para o futuro?

Embora o modelo NEWAVE Híbrido tenha como objetivo aprimorar a precisão

e a gestão de riscos, ele impôs um impacto financeiro considerável aos

consumidores e gerou questionamentos sobre sua efetividade prática. A

volatilidade excessiva e os preços elevados indicam que ajustes podem ser

necessários para equilibrar a segurança energética e a viabilidade econômica

dos contratos no mercado livre.


A expectativa do setor é que as movimentações regulatórias tragam maior

previsibilidade e estabilidade nos preços, especialmente para grandes

consumidores que dependem de contratos de longo prazo. Enquanto isso, as

estratégias de gestão de riscos e otimização de contratos ganham relevância

como formas de mitigar os efeitos da volatilidade.


Acompanhe o Blog da Elevar Energia para mais atualizações e análises sobre

o mercado livre de energia!

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